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Identidade e história: CIR e CVEN promovem debate sobre o impacto da miscigenação na saúde da população brasileira

06/10/2025 13:22h

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A OAB/RS, por meio da Comissão da Igualdade Racial (CIR) e da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra (CVEN), promoveu, na quinta-feira (1º), o seminário “O impacto da miscigenação na evolução e saúde da população brasileira”.

Realizado de forma presencial, no 14º andar da sede da Ordem gaúcha, em Porto Alegre, o encontro teve como objetivo refletir sobre o direito à saúde da população negra no Brasil a partir de fundamentos constitucionais e dos avanços científicos recentes. A ação teve como base o estudo publicado em 2025 pela revista Science, que traz relevantes dados genéticos e epidemiológicos sobre os efeitos da diversidade étnica na saúde da população negra brasileira.

A presidente da CIR, Janaína Cordeiro, destacou a importância do conteúdo que serviu de tema para o debate. “Agradeço a todos que estão aqui prestigiando nossa mesa e esse artigo extraordinário, que é uma pesquisa fundamental para pensar prevenção e diagnóstico em nossa diversidade brasileira. Esses resultados nos apresentam possibilidades futuras e inéditas”, pontuou.

O presidente da CVEN, Jorge Terra, ressaltou o caráter inclusivo do evento. “A OAB/RS é a casa da cidadania, e esse trabalho voluntário que fazemos se justifica quando sabemos que aqui também é a casa das advogadas e advogados. Por isso, nos sentimos mais legitimados quando a comunidade participa. Esse debate é essencial, porque doenças que afetam com maior intensidade a população negra ainda enfrentam barreiras de reconhecimento nas secretarias de saúde, no ensino e em várias áreas em que precisamos reafirmar o direito à diferença”, afirmou.

A debatedora, professora Maria Luiza Saraiva-Pereira, destacou a relevância do diálogo entre ciência e sociedade. “É um prazer tratarmos de um tema tão essencial que reforça a importância da ciência para o avanço nas questões de saúde, de acesso e de equidade da população negra”, concluiu.

Entre as palestrantes, a pesquisadora Célia Mariana Barbosa de Souza lembrou que a ciência, historicamente, utilizou a população negra como alvo de violência. “Muito da evolução científica se deveu ao período da escravidão, quando a genética foi usada para sustentar a eugenia e a ideia de superioridade racial. Esse estudo, no entanto, mapeia o DNA de todo o país, revela variantes genéticas inéditas e mostra que o povo brasileiro é único no mundo. Mas, ainda que a genética nos apresente esse retrato, o que limita vidas não é o DNA, e sim a cor da pele. Ainda precisamos avançar em ações antirracistas, e que toda a sociedade reflita sobre isso”, apontou.

Já a cientista social Milena Cassal enfatizou os reflexos da pesquisa para as políticas públicas. “Compreender o mapa genético do Brasil não significa fortalecer uma falsa ideia de união racial, mas reconhecer potenciais de cuidado e resistência. Esse conhecimento pode orientar políticas de saúde mais equitativas e identificar variantes genéticas prevalentes em populações com maior ancestralidade africana, contribuindo para reduzir desigualdades”, explicou.

06/10/2025 13:22h



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