Há 30 anos, OAB/RS retornava do Uruguai após apurar situação de sequestrados
26/01/2009 11:54h
Série publicada no jornal Zero Hora relembrou viagem dos advogados da Ordem gaúcha ao país vizinho.
O jornal Zero Hora está publicando desde do dia 2 de janeiro até esta sexta-feira (23), notícias sobre a viagem dos advogados da OAB/RS ao Uruguai em 1979, por ocasião do sequestro de Lílian Celiberti e Universindo Díaz, levados por forças da Operação Condor na capital gaúcha, em novembro daquele ano. Confira as matérias da época publicadas no periódico.
02 de janeiro de 1979 - Advogados querem falar com Lílian e Universindo
Com o objetivo de manter contato com Lílian Celiberti e Universindo Díaz, os dois uruguaios sequestrados em Porto Alegre no mês de novembro, parte hoje para Montevidéu a comissão de advogados da OAB-RS, integrada por Omar Ferri, Marcus Melzer, Mariano Beck e Otávio Caruso da Rocha. “A finalidade da viagem é falar com os uruguaios, mas para isso ainda precisamos entrar em contato com as autoridades daquele país”, explicou o presidente da comissão, Marcus Melzer.
03 de janeiro de 1979 - Comissão da OAB-RS já está no Uruguai
Liderada pelo advogado Marcus Melzer, uma comissão da OAB-RS viajou ontem para Montevidéu, com o objetivo de conversar com Lílian Celiberti e Universindo Díaz para saber sob quais circunstâncias eles desapareceram de Porto Alegre em novembro – até agora, a principal suspeita é de que tenham sido sequestrados por militares uruguaios, com o auxílio de policiais gaúchos. O grupo ressaltou, no entanto, que somente entrará em contato com Lílian e Universindo se obtiver autorização do governo do país vizinho.
04 de janeiro de 1979 - ARI apoia OAB no caso dos uruguaios
Continua na dependência de uma autorização de Synval Guazzelli a proposta da OAB-RS de formar uma comissão de inquérito para apurar os responsáveis pelo sequestro dos uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Díaz, ocorrido em novembro. Enquanto o governador não se manifesta sobre a proposta, o presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Alberto André, anunciou a disposição da entidade em participar da comissão.
05 de janeiro de 1979 - Camilo Celiberti reconhece delegado gaúcho
Filho de Lílian Celiberti, Camilo, de oito anos, reconheceu o diretor da divisão de segurança social do Dops de Porto Alegre, Pedro Seelig, como sendo um dos policiais brasileiros envolvidos no sequestro ocorrido no mês de novembro em Porto Alegre. Por meio de duas fotos fornecidas durante uma reunião com os quatro advogados da OAB-RS, Marcus Melzer, Omar Ferri, Otávio Caruso da Rocha e José Mariano de Freitas Beck, na quarta-feira, o menino identificou o delegado. Seelig reagiu à notícia com irritação, mas preferiu não comentar o fato. “Não tenho nada com isso”, declarou em resposta.
06 de janeiro de 1979 - Comissão da OAB volta à Capital
Retornará hoje para Porto Alegre a comissão da OAB-RS que foi a Montevidéu tentar conversar com Lílian Celiberti e Universindo Díaz, sequestrados em novembro na Capital. Apesar de o grupo não conseguir entrar em contato com os uruguaios, o presidente regional da OAB, Justino Vasconcelos, afirmou que a viagem pode ser considerada um sucesso por dois motivos: a identificação do delegado do Dops, Pedro Seelig, pelo filho de Lílian, como sendo um dos sequestradores e o fato de terem falado com o embaixador da Itália – país em que Lílian morou antes de vir para o Brasil.
“O reconhecimento do delegado Pedro Seelig, como um dos sequestradores, pelo menino Camilo, foi o dado novo das observações que parlamentares do MDB têm feito sobre o caso”. Waldir Walter, um dos deputados que mais se manifestam sobre o assunto, afirmou que esse é mais um fato que prova a participação da polícia no caso: “A esta altura, sobram indícios sobre a participação de autoridades brasileiras no sequestro”.
08 de janeiro de 1979 - Advogados voltam do Uruguai
Chegaram ontem (07/01/1979) a Porto Alegre, com cinco horas de atraso, os advogados Marcus Melzer, Mariano Beck, Otávio Caruso e Omar Ferri, integrantes da comissão da Ordem dos Advogados do Rio Grande do Sul (OAB-RS) que foi a Montevidéu tentar conversar com os uruguaios sequestrados em Porto Alegre, no mês de novembro. Agora, eles prepararão um relatório sobre a viagem para entregar à OAB. A próxima medida deverá ser a expedição de uma ordem judicial, segundo Mariano Beck, que depois poderá ser cumprida no Uruguai por meio de uma carta rogatória.
09 de janeiro de 1979 - Advogados ameaçados de morte
Membros da comissão da OAB-RS que investiga o sequestro de Lílian Celiberti e Universindo Díaz, os advogados Omar Ferri e Mariano Beck estão recebendo ameaças de morte por telefone. Os dois relataram os fatos à OAB, que resolveu levar a questão ao governador Synval Guazzelli para pedir medidas de segurança, a fim de que prossigam as investigações.
12 de janeiro de 1979 - Advogados concluem relatório sobre sequestro
Foi entregue ontem (11/01/1979) à imprensa o relatório da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul (OAB-RS) sobre o sequestro de Lílian Celiberti, seus dois filhos e Universindo Díaz, ocorrido na Capital em novembro. No documento, os advogados concluem que os uruguaios estiveram detidos na sede do Dops gaúcho e foram levados à força ao Uruguai. Também afirmam que eles devem ser devolvidos ao Brasil, onde estavam refugiados antes do desaparecimento. Agora, o parecer será encaminhado ao governador Synval Guazzelli, que aguarda o fim da sindicância instaurada pela Secretaria de Segurança.
23 de janeiro de 1979 - Novas pistas no caso dos uruguaios não convencem
Sobre a nova versão para o sequestro dos uruguaios, surgida a partir dos depoimentos de um motorista de táxi, outro de ônibus e um cobrador, em Bagé, de que Lílian Celiberti, seus dois filhos e Universindo Díaz teriam voltado ao seu país por livre e espontânea vontade, o presidente da comissão da OAB-RS que esteve no Uruguai, Marcos Melzer, afirma que a explicação é incoerente. “O condutor de táxi que teria levado um casal e duas crianças que falavam em espanhol dá a eles feições bem diferentes ao aspecto dos uruguaios desaparecidos”, explicou Melzer. Nos próximos dias, a OAB deve traçar publicamente sua posição ante os novos fatos.
24 de janeiro de 1979 - Para advogado, MP deveria entrar com ação
Ao chegar ontem à Capital, o presidente nacional da OAB, Raimundo Faoro, afirmou que há provas suficientes para o Ministério Público (MP) entrar com uma ação contra os policiais suspeitos de sequestrar os uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Díaz, em novembro. “Os depoimentos de Luiz Cláudio Cunha e J. B. Scalco são o bastante”, garantiu.
25 de janeiro de 1979 - Dados do inquérito sobre sequestro podem afetar segurança
“Nossa sindicância tem informações consideradas sigilosas que podem comprometer a segurança nacional.” Assim, o secretário de Segurança do Estado, Rubem Jardim, explicou o motivo de estar sendo mantido em segredo o resultado do inquérito sobre o sequestro dos uruguaios Lílian Celiberti e Universindo Díaz, ocorrido na Capital em novembro. Nos meios forenses de Porto Alegre, acredita-se que a ameaça à segurança refira-se ao fato de o relatório conter detalhes sobre as atividades profissionais dos policiais gaúchos suspeitos de participação no crime.
26 de janeiro de 1979 - Sigilo irrita advogados
Mais um fato inesperado sobre a manutenção do sigilo do inquérito sobre a participação de policiais gaúchos no sequestro dos uruguaios ocorreu ontem. Encaminhado ao juiz da 3ª Vara Federal, João César Leitão Krieger, o relatório, ao contrário do que se esperava, não pôde ser visto por alguns advogados da OAB, causando descontentamento. Krieger alegou que ele ainda não havia conseguido ler o parecer. Na tarde de hoje, o grupo tentará novamente ter acesso ao documento.
Com informações do jornal Zero Hora
26/01/2009 11:54h
