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Cassação de liminar no Exame da OAB reafirma compromisso com o ensino

04/01/2011 14:24h

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Para Ophir, a decisão do STF afirma o compromisso da entidade de prestar um serviço adequado, de qualidade, com responsabilidade, competência e ética, a todos aqueles que procuram os advogados.

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Ophir Cavalcante, afirmou, nesta terça-feira (04), que a decisão do STF de cassar a liminar do TRF da 5ª Região que autorizava dois bacharéis em Direito do Ceará a exercerem a advocacia mesmo tendo sido reprovados no Exame de Ordem permitirá à entidade manter "o compromisso de prestar um serviço adequado, de qualidade, com responsabilidade, competência e ética, a todos aqueles que procuram os advogados".

Para ele, a decisão tomada pelo presidente do STF, ministro Cezar Peluso, reafirmou que o Exame de Ordem é constitucional e legal e demonstrou também que "há uma preocupação generalizada de todos os operadores do Direito no País com a importância da  qualidade do ensino jurídico".

"Diante disso, a Ordem saúda e recebe positivamente essa decisão do STF e garante, aqui, que continuará firme na defesa do Exame de Ordem, que é, na verdade, um instrumento de defesa da sociedade e um instrumento de fortalecimento da advocacia brasileira".

Confira a íntegra da decisão:

SUSPENSÃO DE SEGURANÇA 4.321 DISTRITO FEDERAL

REGISTRADO: MINISTRO P RESIDENTE

REQUERENTE.(S): CONSELHO  FEDERAL  DA  ORDEM  DOS  ADVOGADOS  DO BRASIL

REQUERENTE.(S) : ORDEM  DOS  ADVOGADOS  DO  BRASIL  -   SECÇÃO  DO CEARÁ

ADV.(A/S): OSWALDO P INHEIRO RIBEIRO JÚNIOR E OUTRO(A/S)

REQDO.(A/S): RELATOR  DO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO

Nº 00194604520104050000 DO TRIBUNAL  REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO

IMPTE.(S) : FRANCISCO CLEUTON MACIEL E OUTRO(A/S)

ADV.(A/S) : CICERO CHARLES SOUSA

DECISÃO: 1. Trata-se   de   pedido   de   suspensão   de   segurança, formulado pelo   Conselho   Federal   da   OAB   e   pela   Seção   cearense   da Ordem,  contra liminar   proferida   pelo  relator  nos  autos   do  Agravo  de Instrumento nº   0019460-45.2010.4.05.0000, em trâmite   no   Tribunal Regional Federal da 5ª Região, e em que foi  garantido "(...) aos agravantes o direito de terem sua inscrição no quadro da OAB realizada sem a necessidade de se submeterem ao exame de Ordem".

Na origem, Francisco Cleuton  Maciel e outro impetraram mandado de segurança, para os isentar do exame, previsto na Lei nº 8.906/94, a fim de  obterem inscrição  nos  quadros da  instituição. A  liminar  foi  rejeitada pelo  juízo de primeiro grau, sob fundamento de que "(...) a  Constituição Federal, em seu art. 5º, XIII, ao assegurar o livre exercício de qualquer trabalho, ofício  ou profissão  atendidas as qualificações profissionais que a  lei estabelecer", afastaria   interpretação   no   sentido de   suposta   inconstitucionalidade  da norma que exige aprovação no exame como condição para advocacia.

Foi   interposto   agravo   de   instrumento,   no   qual   foi   concedida   a liminar que agora se pretende suspender. Consta da decisão:

"Ao   verificar   a   capacidade   dos   bacharéis   inscritos,   a agravada, em verdade, está invadindo área das instituições de ensino superior, além do que o exame, na regulamentação que lhe é dada pelo Conselho Federal, termina ferindo o inc. IV, do art. 84, da Constituição Federal, ao reservar, de forma privativa, SS 4.321 / DF para o Presidente da República a regulamentação da lei."

Os   requerentes   formularam   idêntico   pedido   de   suspensão à Presidência do Superior Tribunal de Justiça, que declinou da competência para esta Suprema Corte. No  pedido  de  suspensão,  alega-se,   em  síntese,   que  haveria  grave lesão   à   ordem   pública,   jurídica   e   administrativa.  Sustenta-se, ainda, a possibilidade de ocorrência do chamado "efeito multiplicador".

2. É caso de suspensão.

De acordo com  o regime legal  de contracautela (Leis  nºs 12.016/09, 8.437/92,   9.494/97   e   art.   297   do   RISTF),   compete   a   esta   Presidência suspender execução de decisões concessivas de segurança, de liminar ou de tutela antecipada, proferidas   em   única   ou   última   instância,   pelos tribunais locais ou  federais, para  evitar grave lesão à ordem, à  saúde, à segurança e à economia públicas.

A  cognição   do  pedido  exige,   contudo,   demonstração  da   natureza constitucional   da   controvérsia   (cf.  Rcl   nº   497-AgR  ,   Rel.   Min.  Carlos Velloso , Plenário, DJ de 06.4.2001; SS nº 2.187-AgR , Rel. Min. Maurício Corrêa , DJ de 21.10.2003 e; SS nº 2.465 , Rel. Min. Nelson  Jobim , DJ de 20.10.2004).

Está preenchido o requisito, pois em jogo, aqui, suposta violação aos arts.   5º,   XIII, e   84,   da   Constituição   da   República,   que   teriam   sido afrontados  pelo TRF  da 5ª Região,  ao  permitir o exercício da  advocacia sem prévia aprovação em exame de ordem. Não há dúvida, portanto, de que a matéria discutida na origem se reveste de índole constitucional.

Verifico, no caso, a caracterização do chamado efeito multiplicador, ante a evidente possibilidade de repetição de idênticos feitos. É notório o alto índice de reprovação nos exames realizados pelas seccionais da OAB, noticiado de forma recorrente pelos órgãos de imprensa. Nesses  termos, todos  os  bacharéis  que   não  lograram bom  sucesso  nas  últimas   provas serão potenciais autores de futuras ações para obter o mesmo provimento judicial.

Ademais, esta Corte, na análise do RE nº 603.583 (Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJe de 16.4.2010), reconheceu a repercussão geral  da questão constitucional   relativa   ao   condicionamento   de   prévia   aprovação   no exame,  para  exercício  da   advocacia.  Assim,   a   segurança  jurídica,   para todos os interessados, recomenda pronunciamento desta Suprema  Corte sobre a causa, de modo a evitar decisões conflitantes pelo Judiciário.

3.  Ante o  exposto,  defiro  o  pedido,  para  suspender  a  execução da liminar   concedida   nos   autos   do  Agravo   de   Instrumento   nº 0019460-45.2010.4.05.0000,   até   o   trânsito   em   julgado   ou   ulterior deliberação desta Corte.

Exp. com urgência  telex e ofício ao Tribunal  Regional Federal  da  5ª Região. Publique-se. Int..

Brasília, 31 de dezembro de 2010.

Ministro Cezar Peluso
Presidente

04/01/2011 14:24h



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